5 tópicos de Terça #79
Vagas, Dashboards, profecias, pé-gadinhas e quotes
Toda terça-feira, 5 ideias na sua caixa de entrada com a curadoria especial de seus founders favoritos (dica: Lucas e Edu).
🥢 1. Quotes da semana
“The score takes care of itself.”
- Bill Walsh
“Luck is what happens when preparation meets opportunity.”
- Seneca
“The main thing is to keep the main thing the main thing.”
- Stephen R. Covey
🥢 2. Como conseguir a vaga dos sonhos?
Sempre que me pedem ajuda para conseguir emprego, eu falo que processo seletivo é uma merda.
Ali, você está competindo com uma porrada de gente ao mesmo tempo.
Pra que isso?
Quanto mais competição, pior. Você quer POUCA competição.
Em tudo.
Pensa nas seguintes experiências:
Praia de Ipanema no domingo de sol
Pegar Uber na saída de show
Ir pra academia às 18h
Shopping na véspera de natal
Aplicar para processo seletivo é tipo isso, só que versão corporativa.
Eu sempre aconselho ir direto na pessoa certa e conversar. Mostrar o quanto a empresa tem a se beneficiar de ter você trabalhando lá.
Estamos falando em literalmente fuxicar o Linkedin até saber quem é o responsável pela área que você quer trabalhar e mandar uma mensagem. Chamar para tomar um café... dar um jeito.
Parece uma ideia ousada demais, mas olhe a análise de outcomes. Mesmo se der errado, deu certo.
Bem... poucos me ouvem quando eu falo isso. Acham que eu sou um lunático (talvez estejam certos, por motivos errados).
Eis que acabo de descobrir como o Head de Growth da Anthropic conseguiu o seu emprego.
Disclaimer: Anthropic é a empresa com maior crescimento da história.
2023: 200M USD
2024: 1B USD (5x)
2025: 9B USD (9x)
2026: 19B (2,1x em 4 meses)
Março de 2026: 30B (1,58x no último mês)
Botando em perspectiva: A fórmula para virar unicórnio rápido sempre foi o T2D3 (Triple Triple, Double, Double, Double).
Isso significa fazer 70x de crescimento em 5 anos. A Anthropic fez 90x em 28 meses. Coisa de maluco... Já até perdi o fio da meada tentando mostrar o quão insanos esses caras são.
Voltando aqui...
Sabe como o cara que toca GROWTH nessa empresa conseguiu o seu emprego
Ele era usuário do Claude. Achava o produto FODA.
Mas achava que eles eram muito fracos com suas estratégias de crescimento.
"Certamente não tem ninguém lá olhando pra isso... podia ser eu".
Ele mandou um cold email para Mike Krieger (que é o Diretor de Produto lá) falando basicamente:
"Olha, eu sou foda de Growth. Eu adoro o produto... Sinto que vocês se beneficiariam de ter um cara que nem eu olhando pra isso".
Mike respondeu pouco tempo depois, chamou pra conversar e ele acabou conseguindo o emprego.
Acredite em mim e me agradeça depois.
Tem algum cargo, empresa, emprego dos seus sonhos? Para de esperar abrir a vaga. Ela pode nunca abrir. E se abrir, você tá competindo com todo mundo.
PS: Mike Krieger, o CPO da Anthropic é um dos founders do Instagram. Ele é brasileiro. Imagino que ele vire o brasileiro mais rico do mundo em pouco tempo. Você ouviu primeiro aqui.
🥢 3. A morte dos dashboards
O Lucas vinha me falando há um tempo que não faz sentido mais ter dashboard. Ele serve para nós, seres humanos, conseguirmos ter uma noção mais visual das coisas que estão acontecendo.
Mas no momento que tem uma AI olhando os dados por trás e dando alertas quando tem algo fora do lugar, pra que fazer dashboards?
Achei ele meio extremista demais.
Isso foi há uns 2 meses.
Hoje eu vi um tweet falando que empresas de Saax estão mudando a home da área logada para um chat igual o ChatGPT ou Claude.
Linear, Posthog, Attio...
Parece que o Saaspocalypse foi importante para mostrar aos Saas que o paradigma mudou.
Tirei print do Posthog e do Linear:
O mundo tá mudando rápido demais. What a time to be alive.
🥢 4. O unicórnio de 1 pessoa só
Em 2025, uma startup de duas pessoas faturou US$ 401 milhões no primeiro ano.
O fundador investiu US$20 mil. Usou Claude pra escrever código, Midjourney pra rodar anúncios e ElevenLabs pra fazer suporte.
No mesmo mês em que o New York Times chamou ele de primeiro empreendedor solo bilionário, a FDA mandou uma carta. E um médico descobriu que estavam usando sua imagem sem ele saber.
A empresa é a Medvi, que vende GLP-1 manipulado (aqueles remédios pra emagrecer tipo Ozempic, Wegovy, Mounjaro) por US$250 a US$400, contra os $1.000+ das versões originais. Foi lançada em setembro de 2024, fundada por Matthew Gallagher.
O caso virou notícia inicialmente por conta da famosa profecia de Sam Altman prevendo a primeira empresa-de-uma-pessoa de bilhão de dólares. A matéria do NYT que saiu mês passado declarou essa profecia como realizada.
Mas aqui vai a parte que a matéria não contou:
Em fevereiro de 2026, a Medvi recebeu carta da FDA por rotulagem irregular. A Futurism reportou que parte das fotos de antes-e-depois eram deepfake. E em janeiro, a OpenLoop, rede de médicos terceirizada que prescreve pela Medvi, sofreu vazamento de 1,6 milhão de prontuários.
Investigadores identificaram mais de 800 contas falsas de “médicos” no Facebook ligadas à empresa, com nomes cartoonescos como “Dr. Tucker Carlzyn MD”. Em novembro, uma ação coletiva foi movida em Delaware.
Pra piorar, 24 horas depois da matéria do NYT, apareceu um email de marketing usando a foto de um médico real, chamado Alec Wier, se apresentado como “provedor afiliado”.
Wier nunca ouviu falar da Medvi.
A imagem dele estava sendo usada sem autorização pra dar credibilidade ao funil de vendas.
Tem dois jeitos de ler isso, e os dois fazem sentido:
O primeiro, o caso é fraudulento e ponto. Médico real virando garoto-propaganda. 800 médicos falsos. Deepfakes. Vazamento de prontuários de pacientes reais. Os fundadores deveriam responder por tudo isso e se fuder (e provavelmente vão).
O segundo, separado da ética da coisa, a Medvi validou a profecia técnica. Sam Altman previu uma empresa de uma pessoa valendo 1 bilhão. Aconteceu. Não da forma que ninguém queria, mas acabou acontecendo.
A AI conseguiu mesmo escalar um unicórnio de duas pessoas. A Medvi é a prova viva. Os fundadores escolheram um caminho podre pra chegar lá e provavelmente vão pagar por isso. Mas a tese é real e realmente escalou com AI.
Agora é torcer pra que no país das bets e das fraudes a galera não se ligue nesses “benchmarks”.
Enquanto isso, aguardamos que a próxima empresa de um bilhão de dólares feita por uma pessoa talvez venha limpa.
PS: Fontes desse texto que valem ser mencionadas: NYT, TBPN e Rodrigo Fernandes
🥢 5. Pé-gadinha de Primeiro de Abril
Pra quem não viu, semana passada lançamos uma nova ferramenta do OFF THE GRID, o FootMash.
O que é?
FootMash é uma plataforma de reconhecimento de founders.
A gente percebeu que o sistema tá quebrado. Há uma assimetria de informação muito grande e o networking no ecossistema brasileiro é superficial.
Uma parcela muito pequena dos founders e startups têm acesso a capital de qualidade e muitas vezes isso depende mais de onde a pessoa estudou, quem a família conhece ou onde passou as férias de verão.
As pessoas conhecem logos, conhecem pitches, mas não conhecem de verdade quem tá por trás das startups.
Então nosso primeiro produto é um quiz interativo onde você tenta identificar founders a partir de uma perspectiva completamente nova. Literalmente de baixo pra cima.
Você recebe a foto do pé de um founder. Você chuta qual startup é. Simples.
Por que pés?
A gente estudou isso. Sério.
Nos últimos meses, rodamos um pipeline de autoresearch com modelos open source fine-tunados em cima de datasets proprietários de imagens de founders brasileiros. Foram dias ininterruptos de inferência, milhões de tokens consumidos, até o nosso algoritmo proprietário (o SoleMatch™) atingir 94.7% de precisão no reconhecimento de padrões podais.
O backend inteiro foi construído com Claude Code orquestrando agentes que fizeram o scraping, a curadoria e o treinamento. A gente literalmente dormia enquanto a AI trabalhava.
(Se você tá achando isso estranho, confia no processo.)
Primeira edição: Founders BR
Pra estreia, selecionamos founders de startups que você provavelmente conhece. São 10 rodadas. Você vê o pé, escolhe a startup, e a gente revela o founder.
Os resultados dos nossos beta testers foram surpreendentes (a maioria acertou muito mais do que esperava).
Parece que o ecossistema se conhece melhor do que imagina. Ou os pés falam mais do que a gente pensa.
O que vem depois
No final do quiz, você vai poder cadastrar sua startup no FootMash enviando uma foto do seu próprio pé. Estamos construindo o maior banco de dados de pés de founders da América Latina.
Sim, você leu certo.
A gente acredita que esse é o pontapé inicial (pun intended) pra uma nova forma de conexão no ecossistema.
Transparência se constrói bottom-up.
Bom jogo: JOGAR FOOTMASH 🦶
Leu até aqui e ainda não se inscreveu na newsletter? Não tem problema. Se inscreve agora enquanto nem o Lucas nem o Edu tão olhando e eles não vão ficar bravos com você.







