5 tópicos de Terça #77
Autoresearch, Fireflies, Cluely, tweets e quotes
Toda terça-feira, 5 ideias na sua caixa de entrada com a curadoria especial de seus founders favoritos (dica: Lucas e Edu).
🥢 1. Quotes da semana
“Hard choices, easy life. Easy choices, hard life.”
- Jerzy Gregorek
“You can’t build a reputation on what you are going to do.”
- Henry Ford
“Se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.”
- Lewis Carroll (Cheshire Cat)
🥢 2. Autoresearch, o Ralph Loop feito por um Profissional
Karpathy é um pesquisador de AI foda.
Ele co-fundou a OpenAI, liderou toda a IA do Autopilot da Tesla e criou o curso de deep learning mais popular de Stanford. Largou tudo pra virar pesquisador independente.
E hoje cria e disponibiliza projetos legais no Github.
Esse mês ele soltou um projeto open-source chamado autoresearch.
O conceito é simples: você dá um script de treinamento pra um agente de IA. Ele lê o próprio código, forma uma hipótese, modifica o código, roda o experimento, avalia o resultado. E repete. Sozinho. Em loop. Enquanto você dorme.
Karpathy deixou rodando por 2 dias numa GPU.
Foram 700 experimentos autônomos, com 20 melhorias reais resultando em 11% de ganho de eficiência num modelo que ele achava que já estava otimizado.
O agente achou erros que o Karpathy (com 20 anos de experiência na área) e todos os colaboradores do projeto deixaram passar.
O CEO da Shopify, Tobias Lütke, testou o autoresearch nos dados internos da empresa. Rodou uma noite. 37 experimentos. 19% de ganho de performance.
Pensa nisso no contexto da sua startup: o gargalo de experimentação sempre foi tempo e gente. Quantas hipóteses de growth, pricing ou produto você deixou de testar por falta de bandwidth? Agora imagina um agente rodando experimentos enquanto todo mundo dorme.
Isso é de graça.
Essa é pra quem ainda acha que AI não tem nenhuma aplicação prática.
PS: Se não entendeu a img nem o título, há um tempo atrás, criaram um agente de loop para código chamado Ralph Wiggum. O autoresearch do Karpathy é como se fosse um Ralph melhorado e com mais rigor acadêmico. A imagem é o Ralph com a cabeça do Karpathy. Espero ter ajudado.
PS2: Quer saber como faz pra botar isso pra rodar? Deixa um comentário na News. Se tiver 20 comentários, faço um vídeo explicando.
🥢 3. Casos de startup: Fireflies AI era dois caras e um caderno
Essa história é boa porque ela parece mentira, mas é exatamente o tipo de coisa que founder faz quando tá no modo sobrevivência.
Antes da Fireflies virar unicórnio, os caras tinham falhado 6 vezes.
Teve até ideia de crypto com food delivery (sim, nesse nível)
Aí veio a última cartada: “uma AI entra na sua reunião e te manda as notas depois”.
No pitch era Artificial Intelligence (AI), mas na prática era Another Indian (AI).
Quando o cliente marcava reunião, entrava “Fred from Fireflies.ai”.
“Fred” = um dos fundadores, mutado, sem câmera, anotando tudo na mão igual um doido.
Terminava a call, 10 minutos depois, o resumo tava no inbox.
Repetiram isso em 100+ reuniões.
Um ponto importante é que os primeiros clientes eram amigos e conhecidos que sabiam que tinha um humano no loop.
Não era pra enganar ninguém. Era validar se a dor era real e se alguém pagava por aquilo (numa época em que LLM ainda não resolvia isso direito).
No começo, os caras tavam basicamente couch surfing, sem grana, vivendo mês a mês, comendo pizza e tentando não quebrar pela sétima vez.
Quando finalmente entrou dinheiro suficiente pra pagar um aluguel ridículo em SF eles pensaram: “agora sim faz sentido automatizar”.
Essa é a parte que muita gente erra até hoje, a galera quer começar pela automação porque parece mais “tech”.
Mas geralmente os melhores MVPs são feios, manuais e nada escaláveis (salve PG) justamente porque eles focam em dar a única resposta que importa no começo: alguém pagaria pra resolver essa dor?
PS: Esse da foto é Sam Udotong com uma carinha de “energizado” depois de mais um call comendo pizza. The struggle is real.
🥢 4. Reflexão após ver um video do Cluely
Todo mundo tá falando que AI vai matar software pq hoje qualquer um consegue vibecodar em alguns dias o que levava anos com equipes inteiras.
Eu também pensava isso.
Até ver esse vídeo do Cluely:
Não sabe o que é o Cluely? Não tem problema. O video não tem nada a ver com a empresa. E na real na real, o vídeo nem fala sobre isso que eu estou falando agora.
Na verdade ele falou um negócio que me fez refletir e me levou nessa linha de raciocínio aqui.
Rede social democratizou o alcance. Hoje qualquer um consegue virar um influencer/infoprodutor do zero em pouco tempo.
Basta ter um nicho, criar conteúdo que engaje e postar com consistência.
O equipamento necessário para ir de zero a literalmente milhões de receita é:
Internet (grande maioria tem hoje em dia)
Câmera (Brasil tem mais celulares do que brasileiros)
Microfone (idem anterior)
Resumo:
TODO MUNDO TEM A FACA E O QUEIJO.
Quantos de fato estão fazendo carreira na internet? São poucos.
O que a AI está fazendo com software já aconteceu com outras tecnologias em outras indústrias:
Youtube e Spotify tornaram muito mais fácil se tornar um popstar (Justin Bieber começou pelo YT com esse vídeo)
Steam permitiu que qualquer pessoa pudesse criar e vender um jogo. O criador de Stardew Valley trabalhava num fast food de pretzel quando fez o jogo. O jogo já vendeu mais de U$500 milhões
Substack, Medium e Kindle com self publish fizeram o mesmo com a escrita. Qualquer um pode fazer uma newsletter (tipo essa que você tá lendo) ou escrever um livro.
As ferramentas facilitam a entrada em novos mercados. Mas no fim, o recurso mais finito continua sendo simplesmente a vontade de começar (de verdade) e a teimosia de não desistir até dar certo.
É isso.
Esse é meu relato.
PS: É difícil perseverar. Pegue como exemplo essa newsletter. Eu e Lucas estamos escrevendo toda semana há mais de um ano. Não explodiu. Não ficamos ricos com isso. Ela cresce de forma modesta. É muuuuuuuuito mais fácil desistir do que simplesmente continuar.
Mas vamos continuar.
🥢 5. Tweet que me fez pensar
Esse tweet aqui me pegou:
“É muito difícil ganhar dinheiro fazendo algo que muita gente faria de graça.”
E é muito verdade, tem mercado que é quase um ato de fé empreender.
Restaurante. Teatro. Revista. Cinema. Esporte.
É o tipo de negócio que se você entrar só pelo dinheiro, você desiste rápido. Se você entrar só pela paixão, você quebra com sorriso no rosto.
O problema é que quando você tá competindo com gente que tá disposta a tocar um negócio por serem apaixonadas, você tá ferrado.
Essas pessoas vão topar ter margens ridículas ou até prejuízo tocando o negócio porque elas não fazem por grana, fazem por paixão. E paixão é irracional.
E eu odeio coisas irracionais (apesar de amar esses “negócios irracionais”). Tudo que você não quer no seu negócio é adicionar uma camada de irracionalidade que está fora do seu controle.
Por isso minha dica é: se você tá pensando em abrir algo em alguma dessas indústrias, esteja disposto a encarar concorrência irracional.
🥢 6. Depois do SEO, vem o GEO
[conteúdo patrocinado]
Quando alguém pergunta pra uma IA qual é a melhor empresa pra resolver XXX, é ela que decide quem tem autoridade.
E adivinha? Quase ninguém tá prestando atenção nisso ainda.
Se o ChatGPT ou o Claude respondem com outra marca no seu lugar, não é porque eles “não sabem” quem você é. É porque você ainda não apareceu com o conteúdo certo pros modelos entenderem que você é a referência.
A Option te ajuda nisso: mostra como sua marca tá sendo citada nas respostas de IA, aponta o que melhorar e até cria conteúdo pra você subir no ranking.
Eu uso e recomendo.
Faz um diagnóstico gratuito pra ver como sua marca aparece hoje nas respostas das IAs.
E se quiser continuar, usa o cupom OFFTHEGRID20 pra 20% off nos 3 primeiros meses (e dá aquela força pra newsletter).
Leu até aqui e ainda não se inscreveu na newsletter? Não tem problema. Se inscreve agora enquanto nem o Lucas nem o Edu tão olhando e eles não vão ficar bravos com você.







autoresearch
No aguardo do vídeo ensinando a rodar o autoresearch… posso, eu mesmo, deixar os 20 comentários?? Kkk