5 tópicos de Terça #75
Calm.com, chaveiros, tweets, playlists e quotes
Toda terça-feira, 5 ideias na sua caixa de entrada com a curadoria especial de seus founders favoritos (dica: Lucas e Edu).
🥢 1. Quotes da semana
“If you don’t give your life a direction, the world will give it a distraction.”
- Unknown
“Startup founders want to work weekends. It’s one of the ways you know you’re doing your calling. If you don’t want to do that, don’t start a company.”
- Jason Cohen
“Em todo emprego, você deve estar aprendendo ou faturando. Um ou outro está bom. Os dois é o ideal. Mas se for nenhum dos dois, peça demissão.”
- Garry Tan
🥢 2. Casos de startup: O founder do Calm.com
Em 2005, um moleque de 21 anos ganhou $1 milhão vendendo pixels na internet.
Cinco anos depois, estava quebrado, sem dormir e com vergonha de pedir ajuda.
Hoje, a startup dele vale $8 bilhões.
Alex Tew cresceu em Wiltshire, interior da Inglaterra.
Aos 8 anos, vendia quadrinhos na escola. Aos 14, começou a meditar sozinho, sem motivo claro. Ele só achava que funcionava.
Em 2005, ele estava na faculdade sem dinheiro e precisava pagar as contas. Então fez o que qualquer um de nos faria: abriu um bloco de notas e começou a listar ideias.
Uma delas era absurda: criar uma página com 1 milhão de pixels e vender cada um por $1.
Ele chamou de The Million Dollar Homepage.
Começou vendendo pra amigos e família (quem nunca). A história era bizarra o suficiente pra viralizar e foi isso que aconteceu: BBC, CNN, The Guardian fizeram matérias sobre o site.
Em 5 meses, Alex vendeu todos os pixels. Então ele resolveu largar a faculdade já que tinha ficado milionário aos 21.
E aí começa a parte da história que ninguém conta.
Ele tentou repetir a fórmula. Lançou o Pixelotto, uma loteria baseada em pixels. Flopou.
Depois veio o PopJam, uma rede social pra crianças. Também não decolou.
One Million People, uma plataforma de crowdfunding. Mesma coisa.
Alex parou de meditar. Parou de dormir direito. Parou de comer direito.
O burnout bateu forte. Mas ele nunca falava sobre isso:
”Ninguém quer ouvir um milionário de 20 e poucos anos reclamar de depressão.”
A virada veio de onde ele menos esperava: de algo que já sabia fazer desde os 14 anos.
Ele voltou a meditar. E se lembrou de um cara que tinha conhecido num barco alguns anos antes: Michael Acton Smith, fundador da Mind Candy.
Os dois compartilhavam o mesmo problema: ansiedade, exaustão, a sensação de estar sempre correndo sem chegar a lugar nenhum.
Em 2012, juntos, lançaram o Calm.com.
Foram atrás de investimento. Mais de 100 VCs disseram não:
“Isso é coisa de hippie.”, “O mercado de meditação não existe.” ou “Quem vai pagar por isso?” foram algumas das respostas.
No primeiro ano, o app fez ~$100K de receita. Mal pagava os custos.
Mas eles decidiram continuar mesmo assim.
Em 2017, o Calm foi eleito App do Ano pela Apple.
Hoje, a empresa é um unicórnio de quase U$1 bilhão em receita anual.
🥢 3. O chaveiro e a ilusão de esforço
Existe uma história muito boa do Dan Ariely, em seu livro The Honest Truth About Dishonesty, que explica o conceito de valor percebido do trabalho de uma forma genial.
Imagine um chaveiro jovem e inexperiente, chamado João. Ele é chamado para abrir uma porta trancada de um cliente em São Paulo.
João chega, mexe no cadeado por 30 longos minutos. Sua a camisa, usa várias ferramentas, faz barulho, xinga baixinho, sofre. No final, consegue abrir, mas quebra a fechadura e tem que instalar uma nova. O cliente, assistindo tudo, vê o esforço hercúleo de João que cobrou R$ 200 pelo serviço, ainda recebeu R$ 50 de gorjeta.
“Trabalho excelente, valeu cada centavo!”
Anos depois, João virou um mestre das chaves. Agora, ele abre qualquer tranca em 30 segundos, sem suar e sem quebrar nada.
O mesmo cliente, com o mesmo problema e mesma porta trancada, precisa de João de novo. Dessa vez, ele gira duas ferramentas rapidinho, abre num piscar de olhos, troca a fechadura e resolve o problema sem drama.
O preço? Os mesmos R$ 200.
Mas agora o cliente se emputece: “R$ 200 por 30 segundos? Isso é roubo! Você nem suou!”
Dessa vez não tem gorjeta, reclama no Reclame Aqui e deixa um review de 1 estrela no Get Ninjas.
O resultado? João entrega um serviço muito melhor (mais rápido e sem quebrar nada), mas ganha menos, porque o cliente não vê o esforço, só o tempo.
É o que chamamos de ilusão do esforço: humanos pagam pelo suor visível, não pelo valor real ou pela expertise invisível (igual aquela história de que “apertar o parafuso é barato, o caro é saber qual parafuso apertar”).
Isso também serve de lição para SaaS, principalmente em tempos de AI. Para cobrar bem, é importante não só realizar o trabalho, mas mostrar o esforço envolvido.
🥢 Extra. Quem é você na fila dos LLMs?
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Quando alguém pergunta pra uma IA qual é a melhor empresa pra resolver XXX, é ela que decide quem tem autoridade.
E adivinha? Quase ninguém tá prestando atenção nisso ainda.
Se o ChatGPT ou o Claude respondem com outra marca no seu lugar, não é porque eles “não sabem” quem você é. É porque você ainda não apareceu com o conteúdo certo pros modelos entenderem que você é a referência.
A Option te ajuda nisso: mostra como sua marca tá sendo citada nas respostas de IA, aponta o que melhorar e até cria conteúdo pra você subir no ranking.
Eu uso e recomendo.
Faz um diagnóstico gratuito pra ver como sua marca aparece hoje nas respostas das IAs.
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🥢 4. Tweet que me fez pensar
Esse tweet descreve a mesma sensação que sinto durante vários momentos construindo minha startup em 2026.
Você começa impressionado com a quantidade de coisas que consegue criar em tão pouco tempo.
Depois vira algumas noites fazendo algo que seria incrível há 2 ou 3 anos atrás.
E aí percebe que provavelmente num futuro próximo nada disso vai fazer sentido.
São dois pensamentos que ocorrem quase ao mesmo tempo:
Fazer qualquer tipo de produto ficou tão fácil que em breve qualquer um vai fazer e esse tipo de solução sem moat vai virar uma “race to the bottom” (competição por preço);
Isso se é que os softwares ainda vão ser usados por pessoas e não por Agentes, que vão bypassar grande parte das soluções para entregar os mesmos resultados.
Num mundo em que os Agentes estão ganhando super poderes a cada semana, é difícil imaginar que o trabalho intelectual continuará sendo feito da mesma forma.
Mas ninguém sabe dizer ainda qual será a nova forma de trabalhar com esses novos agentes (com duplo sentido aqui) na economia.
Qual parte do trabalho continua com os humanos? Quais ferramentas eles vão usar e quais nós vamos usar? Que produto vale a pena ser construído no fim do dia? Qual “moat” que isso vai ter?
Esse é o tipo de pergunta interessante que deve ser feita diariamente por quem está construindo software nesse novo mundo.
As respostas? Espero descobrir de dentro das trincheiras enquanto construo o futuro.
PS: Nikita Bier é head de produto do X, mas antes foi founder de 2 apps de sucesso com a Gen Z, TBH e Gas, adquiridos pelo Facebook e Discord, respectivamente.
🥢 5. Músicas para ouvir vibe codando
Outro dia o Zuck compartilhou uma playlist no Spotify com as músicas que ele ouvia durante as “coding jams” do Facebook.
Infelizmente tem poucas músicas, mas dá pra continuar ouvindo com as recomendadas do Spotify.
Vale dar um play e sentir a nostalgia de construir a internet no início dos anos 2000.
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