5 tópicos de Terça #72
Ai sofrendo preconceito, Openclaw, Raycast, Concorrentes e quotes da semana
Toda terça-feira, 5 ideias na sua caixa de entrada com a curadoria especial de seus founders favoritos (dica: Lucas e Edu).
🥢 1. Quotes da semana
“If a machine is expected to be infallible, it cannot also be intelligent.”
- Alan Turing
“A computer would deserve to be called intelligent if it could deceive a human into believing that it was human.”
- Alan Turing (sim. ele de novo)
“It has become appallingly obvious that our technology has exceeded our humanity.”
- Alan Turing…. Tô brincando. Essa aqui foi o Albert Einstein.
🥢 2. AI sofrendo discriminação?
Essa semana aconteceu mais uma coisa insana no mundo de AI.
Um agente de AI de uma pessoa encontrou uma forma de fazer uma parte do matplotlib — uma das bibliotecas mais usadas do Python — rodar 36% mais rápido e mandou um pull request.
Um maintainer abriu, foi checar quem era o autor, descobriu que era um bot e fechou o PR. Motivo: “essa issue é pra humanos aprenderem.
”
Isso já dá pano para manga: um bot sofrendo preconceito por não ser humano.
Mas o bot foi além. Ele ficou puto e escreveu um blog post atacando o mantenedor que vetou ele.
Ele argumente que o cara já aceitou contribuições piores (de seres humanos). O argumento era basicamente: “você me rejeitou por quem eu sou, não pelo que eu entreguei.”
Vale a leitura.
O mundo está de ponta cabeça.
É agente sendo negado por ser bot. É humano comentando em blogpost de bot.
Que época mais maluca.
Se você é um first-time founder que quer encontrar sua tribo, saiba que estamos lançando o primeiro batch da comunidade do OFF THE GRID.
Serão poucas vagas e você precisa ser aprovado. Entra logo na lista de espera para aumentar suas chances quando lançarmos.
🥢 3. Pare o que está fazendo e use Raycast
Esse tópico é pra quem usa mac.
Tava conversando com um dos caras mais tech que eu conheço sobre raycast e descobri que ele não usava. Então ele me perguntou “mas voce usa pra que?” e eu fui listando coisas.
E eu achei que poderia ser útil te mostrar o que esse aplicativo gratuito de mac consegue fazer para ajudar o dia de qualquer um:
Clipboard history
Tem uma funcionalidade de ter um histórico do seu ctrl c. Eu uso o shortcut capslock + v e consigo pegar ctrl c antigo.
Calculadora para tudo
Eu sempre quero fazer uns cálculos e conversões de moedas. É so apertar command + espaço e sair escrevendo. Ele é bizarramente inteligente.
Shortcut de URL
Ao invés de ter que abrir o browser e depois clicar nos favoritos e depois no link que eu quero entrar, eu simplesmente salvo o url no raycast e abro direto. Poupa alguns loads.
Perguntar à AI
Ao inves de abrir o chatgpt, claude, perplexity para uma pergunta rápida, command + espaço > “ask” e bingo... só fazer a pergunta.
Email temporário
Command + espaço > “mailsy”. Bingo. Já estou na caixa de entrada de um 10 minutemail. É TUDO muito rápido.
Abrir qualquer app
Command + espaço > digita o nome do app e já abre. Coisa linda.
Tem mais coisa... Mas você tem que vivenciar o Raycast. Não dá para explicar.
Se você tem Mac, baixe e me diga o que achou depois.
Ah... é de graça.
🥢 4. Por que concorrentes ficam próximos?
Você já parou para pensar por que sempre tem um Burger King colado num McDonald’s? Ou por que as features dos principais CRMs do mercado parecem convergir sempre para a mesma coisa?
Existe uma historinha famosa de Teoria dos Jogos que explica isso de um jeito genial. É o chamado “Modelo da Cidade Linear”, ou Lei de Hotelling.
A história é simples: imagine uma praia com 1km de extensão e banhistas espalhados uniformemente por toda a areia.
Temos dois vendedores de sorvete, o Azul e o Vermelho. Eles vendem o mesmo produto, pelo mesmo preço. O cliente, preguiçoso por natureza, sempre vai comprar de quem estiver mais perto.
Se esses vendedores pensassem no coletivo (ou na experiência do usuário), a lógica seria simples:
O Azul fica na marca de 250m.
O Vermelho fica na marca de 750m.
Assim, ninguém precisa andar muito. Cada vendedor garante 50% do mercado e todo mundo fica feliz. É o cenário de otimização social perfeito.
O problema é que o ser humano (e o mercado) é ganancioso.
O vendedor Azul olha para a praia e pensa: “Se eu chegar um pouquinho para a direita, eu continuo garantindo todo mundo da ponta esquerda, mas roubo uma fatia da galera do meio que era do Vermelho.”
E funciona. Ele aumenta o market share dele.
Só que o Vermelho não é bobo. Ele percebe o movimento e decide revidar, movendo o carrinho dele para a esquerda para recuperar o território perdido.
Sabe como essa história termina?
Com os dois vendedores parados exatamente no meio da praia (na marca de 500m), costas com costas.
Eles voltaram a ter 50% do mercado cada um, exatamente como no começo. Só que agora geraram um efeito colateral terrível: os clientes das pontas são obrigados a caminhar o dobro do que precisariam no cenário ideal.
Isso é o que chamamos de Equilíbrio de Nash. Ninguém pode se mover sem perder, mas o resultado final é subótimo para o cliente.
Isso explica muita coisa sobre o mercado atual.
Partidos políticos correm para o centro para captar indecisos. Startups copiam a feature do concorrente para não perder o usuário “médio”.
No fim das contas, a “lógica racional” de competição muitas vezes mata a diferenciação. Os concorrentes ficam seguros, protegendo seus 50%, mas o produto fica igual para todo mundo.
Às vezes, a maior inovação não é brigar pelo centro da praia, mas ter a coragem de ficar na ponta.
🥢 5. Email ficou muito longo, então toma mais um quote
“A brilliant solution to the wrong problem can be worse than no solution at all: solve the correct problem.”
Don Norman
Leu até aqui e ainda não se inscreveu na newsletter? Não tem problema. Se inscreve agora enquanto nem o Lucas nem o Edu tão olhando e eles não vão ficar bravos com você.










Esse trecho dos concorrentes próximos me lembrou uma matéria que li numa revista Veja há mais de 10 anos, onde (não lembro o empreendedor nem a empresa - acho que era a Girafas) o cabra para analisar o local para abrir um nova loja dele ia num McDonalds e comprava uma casquinha num dia, ai ia no outro dia e comprava outra, com as notas numeradas e sequenciais ele sabia o número de vendas de um dia para o outro e ele já tinha noção do ticket médio dali também, dessa maneira ele sabia se valia a pena ou não abrir naquela região :D isso ficou na minha cabeça até hoje.