5 tópicos de Terça #81
Harness, Jude Law, dinheiro, riqueza e conselhos.
Toda terça-feira, 5 ideias na sua caixa de entrada com a curadoria especial de seus founders favoritos (dica: Lucas e Edu).
🥢 1. Quotes da semana
“O melhor momento para plantar uma árvore foi há 20 anos. O segundo melhor é agora.”
- Provérbio Chines
“The cave you fear to enter holds the treasure you seek.”
- Joseph Campbell
“People don’t buy what you do, they buy why you do it.”
- Simon Sinek
🥢 2. WTF is a harness?

Se você está construindo com AI provavelmente já ouviu o termo “Agent Harness”. E provavelmente também já se perguntou “que porra é essa”?
A primeira vez que eu ouvi falar de harness foi num blog post do founder do LangChain. No próprio texto, o autor admite ainda existir uma “zona cinzenta” muito grande e overlap entre os conceitos de harness, framework e runtime. Então, vou tentar explicar aqui do jeito que me fez entender. Vamo lá.
Um harness é basicamente todo sistema ao redor dos LLMs que faz com que essa inteligência seja útil para realizar tarefas. Um ditado que se tornou relativamente popular é “If you’re not the model, you’re the harness”.
Um modelo por si só não é um agent. Mas se torna um quando um harness dá ao modelo coisas como estados, execução de tools, feedback loops e constraints. Exemplos conhecidos de harnesses são Claude Code, Codex, OpenClaw e Hermes.
Na prática uma harness é todo pedaço de código que não é o modelo propriamente dito. Por exemplo:
System Prompts
Tools, Skills, MCPs
Pacote de infraestrutura (filesystem, sandbox, browser)
Lógica de orquestração (subagent spawning, handoffs, modelos)
Hooks e Middleware pra execuções determinísticas (compaction, continuation, lint checks)
A diferença de um agente e um harness? Um “agente” é o comportamento emergente com que o usuário interage. A harness é o maquinário por trás que produz esse comportamento. Quando alguém diz que construiu um agente, na verdade essa pessoa construiu um harness e plugou um modelo nela.
Mas a melhor analogia possível eu só fui ouvir alguns meses depois no talk “Don’t build agents, build skills instead”. Nesse talk os engenheiros da Anthropic, responsáveis pela criação das skills, explicam que na visão deles os LLMs são como CPUs, as Harness são como o Sistema Operacional e as Skills são como o software.
Uma skill é a forma como você instrui uma harness a executar uma tarefa ou processo específico. Ou seja, como você “treina” um Agent a resolver um problema.
Garry Tan escreveu um texto bem interessante entitulado “Thin harness, fat skills” onde ele defende um ponto de vista interessante sobre o que deve ficar na camada de harness, o que devem ser skills e o que deve ser execução determinística.
Para Garry, se você deixar sua harness enxuta e focar em skills, gestão de contexto e uma camada de aplicação, você se posiciona melhor para aproveitar o avanço inevitável dos modelos.
Quando começamos a construir a StationZero, os modelos eram bem menos capazes, e tínhamos que construir muito mais “scaffolding” para os LLMs. Com o tempo, esses modelos ficaram mais inteligentes, e as harness não precisavam de tantas camadas de complexidade.
Durante bastante tempo fiquei frustrado com ter que construir e reconstruir o produto para que ele pudesse se adaptar a essas mudanças. Mas recentemente li que o Manus reconstruiu o produto deles 5 vezes em 6 meses, cada vez removendo mais complexidade, e isso me reconfortou um pouco.
E agora pelo menos parece que temos cada vez mais clareza de onde cada coisa tem que ficar. Como o passar dos meses (ou semanas), podemos assumir que os modelos vão ficar cada vez mais inteligentes e o trabalho de construção de agentes vai ficar num nível de abstração cada vez mais alto.
What a time to be alive (and building)!
🥢 3. Jude LAW?
Todo mundo tá falando do Harvey...
Mas e o LEGORA?!
Harvey é uma startup QUENTE que funciona como se fosse um escritorio de advocacia, só que com AI, fazendo o serviço muito mais rapido e muito mais barato.
Só que ela tem um concorrente chamado LEGORA.
Harvey é mais hypado, mas olha o SITE da legora.
A hero section é absurda.
E o ator é simplesmente o Jude LAW.
Era só isso que eu queria falar mesmo.
Vamos ao próximo
🥢 4. Dinheiro e riqueza
Naval Ravikant defende que as pessoas se beneficiariam de reler bons livros ao longo da vida, mas pouca gente tem esse hábito.
Sabe aquela história de que um homem nunca entra duas vezes no mesmo rio? É meio que por aí.
Pensando nisso, comecei a reler alguns textos de um dos meus autores favoritos, Paul Graham. O texto dessa semana falava sobre dinheiro e riqueza.
A ideia é quase óbvia, mas tem uma armadilha que a maioria das pessoas cai sem perceber: dinheiro e riqueza não são a mesma coisa.
Riqueza são as coisas que você realmente tem ou quer ter: comida, roupa, casa, carro, tempo livre, viagem pra um lugar legal. Dinheiro é só o intermediário que a gente usa pra mover riqueza de um lado pro outro.
Pensa num cenário absurdo: você tá no meio da Antártida com $10 milhões no bolso. Não serve pra nada, não tem nada pra comprar. Agora imagina que alguém te dá uma máquina mágica que faz qualquer coisa que você pedir. Nesse cenário, você nem precisa de dinheiro, porque já tem a riqueza direto.
PG explica que dinheiro surgiu como efeito colateral da especialização. Numa sociedade onde cada um faz uma coisa, você não consegue trocar violinos por batatas pelo fato de que o fazendeiro pode não querer violino nenhum. Então a sociedade inventou um intermediário: sal, prata, ouro, dólar, o que for. A moeda se torna um atalho pra trocar qualquer coisa por qualquer coisa.
O atalho é eficaz, mas quando a gente usa atalho por tempo demais, acaba esquecendo o caminho original.
É aí que entra o que ele chama da "Falácia da Torta".
Muita gente cresce achando que a riqueza do mundo é uma torta de tamanho fixo. Se alguém fica rico, é porque tirou a fatia de outro. Isso pode até ser verdade pra conta bancária da sua família esse mês ou pro orçamento da sua empresa. Mas é mentira pra riqueza do mundo todo.
A verdade é que a riqueza é criada o tempo todo.
O exemplo que ele dá é simples: Imagina que você tem um carro velho e detonado. Só que ao invés de passar o verão na praia, você restaura esse carro. No fim do verão, o carro vale mais e você ficou mais rico. Não metaforicamente, mais rico mesmo, se você vender o carro vai conseguir mais dinheiro por ele. E olha que legal, ninguém ficou mais pobre pra você ficar mais rico. É uma riqueza nova, que não existia antes.
É isso que um negócio bom faz.
Aqui tá a parte que me pegou: quando você encara negócios como "ganhar dinheiro", a pergunta é "como eu tiro mais dinheiro de alguém?". Quando você encara como "criar riqueza", a pergunta passa a ser "o que eu posso fazer que resolve um problema real de alguém?".
Parece a mesma pergunta, mas não é. E te leva a pensar negócios de maneira completamente diferente.
Negócio pensado pra extrair dinheiro é soma-zero: pra você ganhar, alguém perde. Negócio pensado pra criar riqueza é ganha-ganha: pra você ganhar, o outro também ganha. Você entrega algo novo e fica com uma parte do valor que criou.
As crianças sabem disso sem nem perceber.
Quando criança precisa dar presente e não tem dinheiro, ela faz um. Um cinzeiro torto de argila ou um cartão desenhado à mão, aquelas coisas que a gente zoa falando "o que vale é a intenção". Mas se parar pra pensar, a criança tá fazendo riqueza do zero. O problema dela é ser ruim em fazer (provavelmente essas criações tem pouco valor monetário), não o conceito.
Quando viramos adultos, esquecemos disso. Passamos a achar que riqueza só vem de empresas grandes ou investimentos chiques. E gastamos a vida tentando pegar uma fatia maior de uma torta fixa que só existe na cabeça da gente.
É só uma mudança de perspectiva simples: a pergunta certa não é "como ganho dinheiro com isso?", mas sim "que riqueza isso cria, e pra quem?".
🥢 5. Career Advice
Não me pergunte como eu cheguei aqui... Mas, um dia desses, perambulando pelo blog pessoal do Moxie Marlinspike (founder do Signal), achei esse post de 2013 sobre conselhos de carreira e ele bateu diferente.
“O seu trabalho vai te transformar na pessoa que faz aquele trabalho. Não tem escapatória.”
Quando você for avaliar um emprego, ignore os problemas interessantes, o impacto, os benefícios, a cor do puff.
Olhe pros funcionários mais velhos da empresa.
Eles são o seu futuro.
Não ache que você vai ser substancialmente diferente.
Observe como eles passam o tempo dentro e fora do trabalho, porque é quase certo que sua vida vai ser assim também.
Pega o founder que você mais admira.
Olha a vida dele hoje — casamento, saúde, filhos, hobby, sono.
É essa a vida que você quer daqui 10 anos?
Se não é, talvez o problema não seja só “escalar mais rápido”.
Esse foi o meu resumo preguiçoso que é MUUUUITO menos legal que o texto. Recomendo que leia ele e me diga o que pensou: https://moxie.org/2013/01/07/career-advice.html
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