5 tópicos de Terça #80
Vagas, Dashboards, profecias, pé-gadinhas e quotes
Toda terça-feira, 5 ideias na sua caixa de entrada com a curadoria especial de seus founders favoritos (dica: Lucas e Edu).
PS: Especialmente essa semana foi Tópicos de Terça na Quarta-feira por motivos de f@#!$& (não tem motivo)
🥢 1. Quotes da semana
“Rejeições não são veredictos. São dados. Use-os.”
“Evitar a estupidez é mais fácil do que buscar a genialidade.”
“In business as in life, you dont get what you deserve. You get what you negotiate”
🥢 2. CLI na prática
Se você tá acompanhando o mundo de AI agents, já deve ter esbarrado no termo “CLI”. É uma daquelas coisas que parece muito técnica, mas o conceito é simples e chegou a hora de entender isso.
O Ben Tossell, da newsletter Ben’s Bites, publicou um texto bem didático sobre o assunto e eu resolvi trazer o resumo pra cá.
CLI é basicamente uma forma de controlar o computador através de texto ao inves do mouse. Sabe aquela tela preta com letras verdes que aparece em filme de hacker? É isso.
CLI = command line interface, ou interface por linha de comando.
Uma das grandes inovações do Steve Jobs foi criar a GUI, que é a graphical user interface. Que foi justamente fazer com que pessoas usassem os computadores com mouse e com um display bonito.
CLI era o que existia antes disso. Mas que continua existindo até hoje porque tem MUITA coisa que é muito melhor de fazer por la.
Imagina que você tem 400 fotos de produtos e precisa renomear todas no formato do seu SKU, redimensionar pra 1200x1200 e organizar em pastas por categoria. Na mão, o processo seria: abrir a pasta, clicar na foto, clicar em renomear, digitar o nome novo, arrastar pra pasta certa. Uma por uma. 400 vezes. Umas duas horas da sua vida.
Mas o trabalho é razoavelmente simples. Só é trabalhoso.
Com CLI, é beeem mais rápido. Basta sair usando uma porrada de comando de nerd e o trabalho está pronto. No texto original do Ben, ele explica passo a passo. Eu preferi te poupar desses detalhes.
Mas o resumo do resumo é que ele usa os comandos “ls”, “mkdir”, “mv” e “mogrify”
ls = listar (mostrar o que tem dentro de uma pasta)
mkdir = criar pasta
mv = mover (e de quebra renomeia, porque quando você move um arquivo pra um caminho com nome diferente, ele muda o nome)
mogrify = uma ferramenta de edição de imagem que aplica mudanças direto no arquivo
E ai tem uma série de outros comandos poderosos:
cp = copiar (copia um arquivo ou pasta de um lugar pro outro)
rm = remover (deleta arquivos — esse é o perigoso, especialmente com -rf, que deleta tudo sem pedir confirmação)
cd = change directory (navega entre pastas, tipo clicar numa pasta pra entrar nela)
cat = mostra o conteúdo de um arquivo direto no terminal (tipo abrir um .txt sem precisar abrir nenhum programa)
grep = busca por palavras dentro de arquivos (imagina um Ctrl+F que funciona em milhares de arquivos ao mesmo tempo)
curl = faz requisições pra internet direto do terminal (é assim que a AI acessa APIs, baixa arquivos, puxa dados de sites)
chmod = muda as permissões de um arquivo (quem pode ler, editar ou executar)
sudo = “super user do” — executa qualquer comando com permissão total de administrador (o equivalente a “rodar como administrador” no Windows)
E tem as flags (aquelas letrinhas com hífen), que servem para modificar o comportamento de um comando. Alguns exemplos:
-r = recursive (aplica o comando em todas as subpastas, não só na pasta atual)
-f = force (não pede confirmação — só faz)
-v = verbose (mostra em detalhe o que tá acontecendo enquanto roda)
-p = cria pastas intermediárias que não existem (usado com mkdir)
-a = all (mostra tudo, incluindo arquivos ocultos — usado com ls)
-h = human readable (mostra tamanhos em KB, MB, GB ao invés de bytes — usado com ls)
--help = mostra o manual resumido de qualquer comando (tipo grep --help)
Esse é o momento em que você se pergunta “mas pra que diabos ele me explicou isso agora? Isso é pior que aprender fórmula de Bhaskara”.
E é aí que eu te pego no contrapé.
Agora você entende essa piada de nerd:
A brincadeira é falar que a língua francesa no linux atrapalha o desempenho por ser muito pesada, então recomendam deletar: “sudo rm -fr /*”
Só que isso é piada de nerd, porque:
sudo = “super user do” (executa o comando com permissão total)
rm = remove
-fr não é bem “francês”... é recursive + force
/* = a raiz do sistema, ou seja, literalmente tudo
Se você roda esse comando, você formata o seu linux.
É tipo a brincadeira do ALT+F4 versão nuclear.
Mas brincadeiras a parte. Não é para isso que eu fiz a introdução ao CLI.
É por causa do próximo tópico.
🥢 3. MCP x CLI (WTF?)
Bem... agora você já sabe o que é CLI, então vamos entender o que é o MCP.
Lembra que há um tempo atrás a AI só respondia texto? E em determinado momento ela começou a conseguir executar tarefas tipo escrever email, criar evento no calendário, criar design no Figma?
Isso foi possível graças ao Model Context Protocol (MCP).
O MCP funciona como um tradutor universal entre a AI e qualquer ferramenta externa que tenha uma API. Sempre que a AI quer executar uma ação ela bate no MCP server, que explica como aquela ferramenta funciona e quais comandos estão disponíveis. Com isso, a AI consegue dar os comandos certos pra fazer o que precisa.
E funcionava bem.
O MCP ajudou a AI a dar um grande passo pra frente. A Anthropic lançou o protocolo no final de 2024 e em poucos meses todos os grandes players adotaram: OpenAI, Google, Microsoft, AWS.
Até que a galera começou a perceber um problema: MCP é caro.
Ele gasta MUITO token porque injeta o contexto inteiro de como usar a ferramenta toda vez que a AI precisa fazer algo. É como se a AI quisesse mandar um email no Gmail e não soubesse como. Então pergunta ao MCP server. E o MCP server responde explicando como fazer TUDO no Gmail (ler emails, criar filtros, gerenciar labels e... enviar email).
Um MCP server padrão do GitHub, por exemplo, despeja ~55.000 tokens no contexto antes da AI fazer qualquer coisa útil.
Beleza, MCP é caro. Mas qual é a alternativa?
A alternativa que eu te expliquei no tópico anterior e você tinha achado inútil: CLI.
Toda AI tem dificuldade em fazer requisições http. Por isso que o MCP precisa dar tudo mastigadinho (e gaster tokens infinitos).
Só que tem um outro mundo onde a AI se sente em casa: o terminal.
LLMs foram treinadas em milhões de exemplos de código, scripts e comandos de terminal. Shell scripting é praticamente a língua nativa delas.
CLI — aquele mesmo terminal que a gente explicou lá em cima, com ls, mkdir, mv — não serve só pra organizar arquivos. Ele é a interface que a AI mais domina. Em vez de montar um servidor inteiro pra traduzir APIs, você simplesmente instala uma ferramenta de linha de comando na máquina e bingo.
Você gasta de 10x a 32x menos tokens, além de ter mais confiabilidade nos resultados (100% x 72% de sucesso segundo esses testes)
Aos poucos os MCPs vem sendo substituídos por CLIs.
Novas tecnologias estão ficando obsoletas mais rápido do que o tempo necessário para aprender a usá-las.
PS: Viu? não era 100% inútil. Agora você já consegue participar de conversas de nerds de AI
🥢 4. Gstack & Gbrain
Garry Tan, o CEO da YC, publicou há algumas semanas um repositório chamado Gstack.
É um compilado de várias skills que ele usa no dia a dia para realizar tarefas diversas. Segundo ele, é a versão open source da sua fábrica de software.
O legal é que não são skills genéricas, são versões opinionadas na forma dele de fazer as coisas.
Pra quem quiser experimentar é só copiar esse link (https://github.com/garrytan/gstack) e pedir pro Claude instalar as skills pra começar a usar (na sequência, você pode perguntar pro Claude o que fazer).
Pra quem tá empreendendo, o maior life hack é roda a skill "Office hours" e ter acesso a uma das rotinas mais marcantes da YC com os partners, direto na sua máquina.
Extra points se você compartilhar na mesma sessão do Claude um monte de contexto da sua startup, sua codebase e o que mais for relevante.
Vale a pena pra experimentar, mas também pra levar a sério a brincadeira.
É um acumulado de conhecimento que muito startupeiro se mataria pra ter amplamente disponível, gratuito e sob demanda.
What a time to be alive.
PS: Ele lançou também o Gbrain, que é mais interessante pra harnesses como OpenClaw e Hermes, pra quem já tá com seus claws na rua vale o confere aqui.
🥢 5. Prediction market é bet ou não?
Eu entendo o argumento de que Prediction Markets são casas de aposta com UX de Bloobmerg. Quando se olha pra um gráfico desse fica evidente.
Mas eu também adoro a tese de que é um jeito de se prever, através da precificação, qualquer evento.
Keynes já dizia que mercado é um sistema de agregação de crenças, não de fundamentos. Prediction markets levam isso ao extremo: preço vira probabilidade, assimetria de informação vira liquidez em tempo real.
O doido é pensar que as duas coisas são verdade ao mesmo tempo. A mesma mecânica que monetiza Super Bowl é a que, aparentemente, precifica eleições e pandemias melhor que qualquer pesquisa.
Talvez esse seja o tipo de produto que precise passar pelo "ciclo errado" antes de virar o "produto certo".
Tipo aconteceu com Bitcoin. Alguns defendem que se não fosse pela Silkroad e dinheiro ilícito circulando na internet, a moeda jamais teria liquidez e infraestrutura construída para eventualmente se tornar ETF ou reserva de tesouraria regulada.
Vamos ver o que acontece com os players que vão ocupar esse espaço no Brasil nos próximos anos.
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